Em “Estrutura II/EST_020125”, a estrutura não é apenas forma: é ausência, respiração suspensa, eco de uma função que já não sabemos nomear. As linhas estendem-se como andaimes sem destino, fragmentos de um organismo que parece ter sido interrompido a meio de um gesto. Há no desenho a precisão das máquinas, mas também a fragilidade do corpo; há um ritmo quase arquitectónico que se desfaz, como se cada secção estivesse prestes a colapsar silenciosamente dentro de si própria.
Os blocos brancos, as zonas escuras, as marcas repetidas — todos eles se alinham como memórias técnicas de uma construção perdida. A superfície, em tons de terra e silêncio, guarda a impressão de algo que se construiu lentamente, camada após camada, até se tornar mais uma ruína do que um projecto. A obra respira uma estranha vitalidade: parece viva, mas desactivada; presente, mas ausente; minuciosamente planeada, mas sem qualquer promessa de conclusão.
Nesta peça, a série Construct revela o seu impulso central: desenhar o fantasma das coisas. Tornar visível o momento exacto em que a estrutura perde utilidade e se torna poesia um diagrama que já não explica, mas evoca. “Estrutura II/EST_020125” é o mapa de um corpo que nunca existiu, ou a lembrança de um futuro que não chegou a cumprir-se.